Renault Twingo E-Tech Electric: tão prático e confortável como o original

É uma das mais fortes apostas da Renault para a eletromobilidade urbana por um preço popular: o Twingo E-Tech ataca o segmento B com o mesmo espírito inventivo com que a primeira geração o fez há mais de 30 anos.

Basta olhar para os faróis redondos montados num capô mergulhante, com a traseira a seguir a mesma linha vertical do antecessor; a principal diferença está mesmo no número de portas: são agora cinco contra as três do modelo original de 1992. 

Para situá-lo no seu tempo, os designers da marca do losango brincaram com as proporções do citadino: agora com 3,79 metros de comprimento, ganha uma personalidade muito própria no meio do trânsito urbano. 

E não é apenas pelas cores garridas que o pintam: os 2,49 metros que separam os eixos permitiram "empurrar" as rodas, de 16 ou 18 polegadas segundo a versão, para os quatro cantos da carroçaria. 

"Grande" para 4 pessoas 

O espaço ganho a bordo permite transportar quatro pessoas com comodidade, e graças ao avanço até 17 cm dos bancos traseiros independentes, ganha-se até 360 litros de capacidade da bagageira. 

É verdade que a decoração do habitáculo poderia ser mais alegre mas depressa se passa à frente face ao ambiente tecnológico, como se percebe no painel de instrumentos de 7 polegadas alinhado com o ecrã multimédia de 10,1 polegadas. 

Ambos dão uma nova vida a bordo, com gráficos e animações alegres no OpenR Link com Google integrado que equipa a versão Techno ensaiada, sem esquecer um conjunto alargado de auxiliares adaptados à condução urbana.

São 24 sistemas de ajuda ao condutor a contar com o opcional Parking & Safety, sendo de série o regulador adaptativo de velocidade com manutenção de faixa e alerta de ângulo morto, entre outras soluções. 

Ágil na cidade… 

Já ao volante do Twingo na versão Techno mais equipada, saúda-se a condução serena num percurso que misturou cidade, autoestrada e vias secundárias, com os 60 kW (82 cv) e 175 Nm elétricos a mostrarem-se suficientes para o dia a dia urbano. 

A posição de condução é excelente, e a ergonomia simplificada para aceder aos poucos comandos físicos a bordo combinam de forma perfeita com a personalidade do citadino. 

E depois são as acelerações vigorosas a fazerem dele quase um campeão dos semáforos, graças aos 3,85 segundos que demora a chegar aos 50 km/hora face aos 1.200 quilos que pesa em vazio. 

Todavia, a falta de "desportivismo" que exibe são notórias ao deixar-se ultrapassar nos 12,1 segundos que demora a bater nos 100 km/hora; elogie-se antes a boa manobrabilidade que exibe em espaços apertados… ou para "furar" o trânsito mais intenso!

Claro que pode sempre brincar-se com a regulação das travagens regenerativas nas patilhas no volante, presentes apenas na versão Techno, enquanto o modo One Pedal torna o uso do pedal de travão quase desnecessário. 

Perante estas condições estradistas, o consumo médio raramente ultrapassou os 11 kWh/100 km, a confirmar os "curtos" 263 quilómetros de autonomia combinada que permitem a bateria LFP de 27,5 kWh, mas suficientes para a condução urbana. 

… e sereno na estrada 

É fora da cidade, no entanto, que melhor se percebe como o Twingo perde gradualmente o vigor: com a velocidade máxima limitada a 130 km/h, é preciso ser paciente (e estar atento ao trânsito contrário) a ensaiar ultrapassagens em estrada aberta. 

Em vias mais sinuosas, percebe-se que a dianteira também carece de precisão quando o ritmo aumenta, podendo mesmo evidenciar uma ligeira tendência para a sobreviragem se o "eléctrico" for levado ao limite.

São apenas detalhes num carro que, acima de tudo, assenta bem no asfalto ou não fosse a plataforma que o suporta derivada da mesma em que é construído o Renault 5 eléctrico. 

As curvas são negociadas com agilidade graças a uma direção muito directa, e os balanços laterais estão bem contidos à conta dum chassis resolutamente configurado, e melhor apoiado pela intervenção dos assistentes ao condutor. 

Notável é a qualidade da suspensão, bem calibrada para melhor absorver as irregularidades do piso a baixa velocidade, embora o habitáculo pudesse filtrar melhor os ruídos vindos da rua para tornar as viagens mais agradáveis aos ouvidos. 

Salientem-se mais uma vez os consumos, com a média a fixar-se em redor dos 13 kWh/100 km, num percurso que também contou com algumas dezenas de quilómetros em auto-estrada. 

Contra só na autonomia 

Bem construído e dinâmico quanto baste, mais na cidade e menos em estrada aberta, o único senão deste Renault Twingo E-Tech está mesmo na autonomia limitada, mais agravada ainda pela ausência dum carregador embarcado de corrente contínua.

Essa questão apenas é resolvida com a aquisição, por 500 euros, do pacote opcional Advanced Charge para poder recarregá-la a uns "rápidos" 50 kW DC ou a 11 kW AC.

Mesmo assim, esse custo mais "desagradável" não esconde o preço bem controlado por que o citadino é proposto: a entrada na gama faz-se a partir de 19.490 euros para a versão Evolution, sem contar com as despesas administrativas a ele associadas. 

Já a linha Techno é proposta desde os 21.090 euros mas a variante ensaiada pelo Aquela Máquina, com quase todos os opcionais integrados, depressa chega aos 24.000 euros. 

Texto: Pedro Rodrigues Santos 

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